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quarta-feira, 4 de maio de 2011

O equívoco

A busca pelo universo interior é um item insubstituível na Lista das Metas para a maioria dos seres humanos. Na dúvida sobre o caminho para vida eterna, há uma posição determinante para compreensão do mistério que envolve a morte, ainda que essa possa eventualmente significar transformação. Observando a palestra de um mestre sobre o “silêncio”, o visitante resolveu adotar o comportamento nem que a técnica o levasse a exaustão, afinal argumentou o mesmo: ”_ poderia ascender à classe superior dos seres vivos, extinguir o medo da interrupção da existência e uma ansiada autonomia humana pelo poder conquistado”. 
Colocando em prática o exercício, recolhido em seu lar e isentando a mente do mundo exterior, o pretenso discípulo tão determinado estabeleceu para si mesmo um movimento tal que somente o “estado de ser silencioso” resgatasse seu tempo e atitude daquela tarefa e lugar, porque nada o afastaria do objetivo. Assim sendo o tempo foi passando, a chuva forte carregou os vizinhos para a morte, a floresta foi ceifada até a raiz, os rios e lagos foram poluídos pelas indústrias, substâncias tóxicas sucessivamente projetadas na atmosfera, as doenças proliferaram entre as crianças, as plantações alteradas pelas químicas vaporizadas, a terra perdeu seus nutrientes através dos inúmeros ataques químicos e com a perda da água para hidratação assumiu definitivamente a erosão, como se não houvesse muita coisa para fazer a região ficou inóspita gerando, por conseguinte um imenso silêncio. 
O discípulo resolveu sair da clausura para sorver o prazeroso silêncio que percebia em torno de si mesmo – o objetivo foi alcançado. E assim dirigiu-se para fora do ambiente onde se encontrava para contemplar a vida de uma forma diferente. Ele olhou a destruição que então fazia parte de tudo o que antes era vivo e que poderia compartilhar, andou vários dias na intenção de um rescaldo qualquer que remontasse a imagem que guardou em sua mente, mas só as lembranças ficaram para acompanhar aquele silêncio que dilacerava seu coração. Tentou voltar e falar com o mestre, mas nada havia para encontrar. Quanto tempo passou exatamente nessa caminhada, nem ele mesmo saberia mensurar, mas quando encontrou um povoado encrustado numa floresta magnífica, alimentado pelo sol e o ar deslumbrantes, os animais serenos pelos rios e lagos, as pessoas sorrindo e dançando em torno de uma mesa de refeição farta, neste exato momento ele despertou, não precisou de uma palavra qualquer para demonstrar a paz que sentia, tampouco ouviu qualquer comentário sobre sua presença. Abraçou tudo o que existia ali. Olhou tudo o que seus olhos captaram. Usufruiu tudo com alegria e paz. Assim, encostou-se a uma pedra junto à cachoeira e na orquestra das águas, em silêncio, deixou naquele paraíso escondido do planeta o seu último suspiro.