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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

A teia

A teia decorou a minha casa vazia há algum tempo (em razão de viagens). A aranha nem perguntou se a locação estava disponível, mas ela sentia uma semelhança com a floresta, sobretudo algo nos remetia a um caminho de descobertas – ofertei-me o desafio.
Grudenta, delicada, destrutível, mas não frágil (a textura do fio tem a capacidade maior que a do aço) a teia subestima a minha inteligência: se é tão ampla, flexível e invasiva porque a pequenina aranha se expõe aos que a desprezam? Outro aspecto curioso para avaliação sob a ótica da sabedoria... Na vã necessidade de sobrevivência pelo rastro dos insetos que a alimentam, ela só descarrega o veneno para imobilizá-lo e assim devorá-lo; no meu caso (humanos) apenas um desconforto na maioria das espécies domésticas ou lesões fatais em algumas espécies como uma pequenina marrom, displicente, doméstica, urbana e traiçoeira. Os Xamãs alertam para o poder feminino que estes seres vivos possuem.
Obvio, não é uma “casa fantasma” que atrai as aranhas e suas teias, mas a redução das florestas e matas nativas mesmo no perímetro urbano, alterando o “habitat” e cadeia alimentar. Lamentável perceber que o ser humano ataca a Mãe Natureza de várias formas como se fosse uma única espécie em importância. Eu percebi durante a humilde observação àquela aranha e sua teia, uma criatividade elegante na trama bordada, também uma determinação com o seu espaço na confecção dos fios, sobretudo paciência para acolher o alimento nos mesmos. 
Agora, eu vou criar no fundo da casa uma minifloresta num projeto de arquitetura que se assemelha a teia: o conceito mágico da mandala da vida pelo talento essencial de tecer os próprios caminhos e respectivos limites. Quem sabe eu aprendo um pouco mais com ela e os filhotes até que os espaços urbanos sejam reflorestados? 
Há muitas espécies de aranhas e teias, portanto o texto não possui o objeto de pesquisa técnica, mas o olhar subjetivo do universo de convivência do meio ambiente onde estamos inseridos com suas belezas e mistérios. Entretanto a “aranha marrom” existe. A foto aponta a floresta urbana porque a imagem da aranha com a sua teia está na poesia da forma como um Todo.